quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Insônia

Sei que quando eu acordar vou me levantar, arrumar a minha cama, preparar o pão com ovo das meninas, acordar todo mundo, adoçar o café e ler o jornal de hoje enquanto fumo o meu cigarro na varanda da nova casa. Sei que já se aproxima do terceiro mês que larguei tudo para buscar a felicidade, numa tentativa de passar a vida a limpo num papel em branco que seria o Rio de Janeiro. Sei que vou precisar de menos sono, de mais coragem e menos saudosismo. Sei que eu sonhava que naquela altura da vida eu estaria sendo acordado por ela, moça que me ama, dama e dona dos meus sonhos, enquanto ela preparava o meu café forte e com muito açúcar, enquanto ela fazia o caça palavras do jornal de hoje e confrontava os nossos signos, enquanto eu já não fumava mais. E ela me diria palavras doces antes de calar meu lamento com os seus lábios. Amarga vida, que de tão amarga, impregna o céu da minha boca e o fundo da minha alma. É que ninguém adoça meus doces sonhos.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Divino

Hoje acordei com os olhos nas estrelas, o frio me acolheu, o vento me acariciou e a água da chuva me fez sorrir e levantar. Hoje o velho ganhou uma pena, o jovem ganhou um lápis e ambos escreveram o mesmo livro. Hoje o pai beija o rosto do filho e o presenteia com o afago da ternura do seu amor incondicional. Hoje a mãe enfrenta todos os monstros do seu filho, o esconde dos seus próprios medos e dúvidas e diz que está tudo bem. Hoje o estranho do lado limpa suas lágrimas, a estranha do lado beija o seu rosto e uma menina faz com que sorria por simples retribuição. Hoje um livro antigo revela tudo o que é preciso saber. O vento acalma, a chuva acalma, os olhos fecham novamente. A noite se faz dia, o céu se faz presente. Hoje um homem por amor oferece sua vida a um desconhecido. Uma voz canta, um violão toca, um teclado chora todas as suas felicidades. Sorrir já não é impossível pela verdade, nem obrigação ou conveniência, mas consequência do amor que voa em panapaná. Que tudo seja repetitivo como o hoje.

(escrito no dia 14/10/2013)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante
Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha
Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra



Paulo Leminski

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Recomeço

Depois de uns 6 anos, resolvi voltar a escrever com uma certa frequência. Junto com a vontade de colocar em palavras (minhas ou não) tudo o que eu vivi e vivo, senti e sinto, amei e amo, também vejo a necessidade de produzir palavras para pessoas que eu admiro ou que simplesmente marcaram de alguma forma a minha vida, o meu dia ou um instante de luz. Para mais, quero viver intensamente, amar incondicionalmente e estar mais próximo do amor e da ternura. Sim, eu encontrei ao menos o que norteia o meu objetivo, os meus sonhos, os meus planos: estou, como nunca estive, mais perto do caminho.

Que eu tenha perseverança e motivação para, não só escrever diariamente, como viver da forma que pretendo. Muito, mas muito mais que um compromisso, é um sentimento, daqueles que balança as pernas e inunda a alma.
-----

Primeira postagem. :)