quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Insônia

Sei que quando eu acordar vou me levantar, arrumar a minha cama, preparar o pão com ovo das meninas, acordar todo mundo, adoçar o café e ler o jornal de hoje enquanto fumo o meu cigarro na varanda da nova casa. Sei que já se aproxima do terceiro mês que larguei tudo para buscar a felicidade, numa tentativa de passar a vida a limpo num papel em branco que seria o Rio de Janeiro. Sei que vou precisar de menos sono, de mais coragem e menos saudosismo. Sei que eu sonhava que naquela altura da vida eu estaria sendo acordado por ela, moça que me ama, dama e dona dos meus sonhos, enquanto ela preparava o meu café forte e com muito açúcar, enquanto ela fazia o caça palavras do jornal de hoje e confrontava os nossos signos, enquanto eu já não fumava mais. E ela me diria palavras doces antes de calar meu lamento com os seus lábios. Amarga vida, que de tão amarga, impregna o céu da minha boca e o fundo da minha alma. É que ninguém adoça meus doces sonhos.

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